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À esquerda, o professor Carlos Walter Porto Gonçalves e à direita o livro “El Rio Bajo Agua” de José Antônio Pérsigo

Homenagem póstuma destaca trabalho de Pérsigo e Carlos Walter pelo meio ambiente

Ato proposto pelo deputado Padre Pedro resgata trabalho de ambos na América Latina

A América Latina perdeu recentemente duas referências na luta pelo meio ambiente. O argentino José Antônio Pérsigo, criador e presidente do Fórum de Conservação e Uso Racional do Rio Uruguai e Aquífero Guarani, e o geógrafo, pesquisador e professor Carlos Walter Porto Gonçalves, que faleceram no início dos meses de julho e setembro deste ano, respectivamente.

A importância de ambos para a luta ambiental foi destacada numa Homenagem Póstuma, proposta pelo deputado estadual Padre Pedro Baldissera e aprovada pela Assembleia Legislativa. Em dois anos, Pérsigo e Carlos Walter vieram para palestras e debates em SC, a partir do convite de Padre Pedro.

“A Assembleia Legislativa realiza a homenagem porque recebeu os dois no Parlamento, em atividades que deixaram sementes importantes para a conscientização e a informação na área ambiental”, destaca Padre Pedro, que representa a Alesc na sessão, realizada em conjunto com a UFSC, onde Walter atuava como professor convidado.

A homenagem foi realizada na terça-feira (17), na sala do PPGICH, anexo do bloco E do CFH (2o andar), no campus da UFSC do bairro Trindade.

Projeção Mundial

Padre Pedro lembrou a participação de Carlos Walter Porto Gonçalves, nos anos 70 e 80, da luta dos serigueiros do Acre, pela preservação da floresta de onde as comunidades extraiam látex, de forma sustentável.

O movimento capitaneado por Chico Mendes e assessorado por Carlos Walter ganhou projeção mundial, pela resistência ao avanço do desmatamento e pela organização alcançada na comunidade, que utilizava uma técnica chamada por eles de “piquetes de luta”.

De forma articulada, eles zelavam pela floresta e cada vez mais impunham derrotas a madeireiros e latifundiários. A liderança de Mendes custou sua vida, em dezembro de 1988, assassinado por latifundiários da região.

A passagem do pesquisador pelo Acre é contada no livro “Nos varadouros do mundo: da territorialidade seringalista à territorialidade seringueira”, que resulta em sua tese de doutorado, publicada em 2003.

O livro “Amazônia, Amazônias”, formulado ao longo de 22 anos de pesquisas sobre a região, é outra obra de destaque do professor. Nela ele destrói mitos e conta as consequências graves provocadas pela expansão capitalista na região.

Walter também presidiu a Associação Brasileira dos Geógrafos, foi doutor em Geografia e professor do programa de pós-graduação na área, dentro da Universidade Federal Fluminense (UFF). Teve artigos publicados nas principais revistas científicas e é referência mundial em sua área.

Uma vida pelo rio Uruguai

Além do trabalho do Fórum de Conservação e Uso Racional do Rio Uruguai e Aquífero Guaranil, o argentino José Antônio Pérsigo participou de dezenas de ações e atividades voltadas à preservação da água. Ele relatou em uma obra de 20 capítulos as consequências da exploração do rio Uruguai a partir de represas construídas ao longo de toda sua extensão.

O ambientalista conseguiu mostrar a redução do volume de água, a redução da velocidade da água, sua contaminação em determinados locais, o que no trabalho afirma interferir diretamente na flora e na fauna do bioma. Persigo denunciou o desaparecimento de algumas espécies de peixes, como dourado, visto hoje somente em pequenos trechos do rio.

Sua obra, “El Rio Bajo Agua”, foi lançada também na Assembleia Legislativa, por iniciativa do deputado Padre Pedro, que considera Pérsigo um exemplo de persistência na luta pelos biomas.

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