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O presidente Lula durante a conversa com jornalista no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). Foto: Ricardo Stuckert / PR

Presidente faz balanço de ações federais em conversa com jornalistas

Crescimento da economia, retomada de programas sociais, auxílio ao combate à violência no Rio, investimentos em infraestrutura e busca por solução pacífica para o conflito no Oriente Médio foram alguns dos temas tratados na conversa com jornalistas

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Lula, reuniu 38 jornalistas, sete fotógrafos e quatro cinegrafistas em um café da manhã no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira (27/10). Na conversa com profissionais da imprensa, abordou uma série de temas, como a retomada de programas sociais, a previsão de crescimento de 3% da economia do país em 2023, os investimentos previstos em infraestrutura via PAC e a perspectiva de ampliação do auxílio federal ao Rio de Janeiro para combater a violência no estado.

“Eu não quero as Forças Armadas na favela brigando com bandido. Não é esse o papel das Forças Armadas. O que determinei é que a Aeronáutica reforce o policiamento nos aeroportos e que a Marinha reforce o policiamento nos portos. Nós vamos ajudar. A Polícia Federal tem que ajudar investindo em inteligência, detectando as pessoas e prendendo as pessoas”, explicou o presidente.

O empenho do Brasil na busca por uma solução pacífica para o conflito no Oriente Médio e para repatriar os brasileiros que estão em Gaza também foi citado. “Vou continuar falando em paz porque acredito que é a coisa mais extraordinária para tentar superar o poder das balas com o poder da conversa. O poder do diálogo é capaz de vencer a bomba mais competente que o ser humano seja capaz de produzir”, resumiu.

O presidente também relatou que está praticamente restabelecido da cirurgia a que foi submetido na região do quadril e que, assim que estiver liberado pela equipe médica, retomará a rotina de viagens pelo Brasil para dialogar com a população, sociedade organizada e gestores locais e estaduais.

Confira abaixo algumas das principais respostas do presidente:

VIAGENS — A minha primeira viagem será para a COP 28, nos Emirados Árabes, e depois passo na Alemanha, para debate entre empresários brasileiros e alemães. Antes de chegar nos Emirados dia 30, estou pensando em passar na Arábia Saudita para fazer a apresentação do PAC a empresários e investidores de lá. E depois, quando retornar ao Brasil, vou começar a viajar pelo Brasil.

PELO PAÍS — O ano que vem será inteiro de viagem pelos estados brasileiros, de lançamento de obras do PAC, de inauguração do Minha Casa, Minha Vida, escolas técnicas, institutos federais, lançar novas universidades, porque o Brasil não pode perder a oportunidade de fazer aquilo que é o nosso compromisso. Precisamos fazer com que o Brasil se transforme definitivamente em um país desenvolvido. Estamos cansados de ser um país de terceiro mundo, um país em vias de desenvolvimento. Queremos nos transformar em um país desenvolvido. Por isso, vamos fazer todos os investimentos que estiverem ao nosso alcance, atrair todos os investimentos que puderem vir para o Brasil para que o país dê um salto de qualidade.

RETOMADA DE POLÍTICAS — Nesses dez meses de 2023, já anunciamos mais políticas públicas do que o que anunciei em quatro anos do primeiro mandato. E por que é que foi fácil anunciar? Porque muita coisa foi recuperar aquilo que já funcionava, mas foi desestruturado pelo governo anterior e que a gente queria recolocar a casa em ordem, recuperando as políticas.

2024 — Sabemos que o ano que vem se apresenta como um ano difícil por conta da queda do investimento da China, a queda do crescimento da China e do aumento da taxa de juros americana. Não vamos ficar parados esperando que notícias ruins aconteçam, vamos trabalhar para as coisas melhorarem.

TRANSPORTES — Se vocês forem analisar a área do transporte, vão perceber que neste ano, mesmo a gente tendo que aprovar uma PEC da transição, o que por si só é um fato sui generis (alguém começar a governar antes de assumir), ela permitiu que a gente tivesse para investimento no setor de infraestrutura, na área de transporte, R$ 23 bilhões, que é muito pouco para um país do tamanho do Brasil. Mas é quatro vezes o que foi investido no mandato do presidente anterior. Portanto, em 2023, só na área do transporte, investimos 23 bilhões, contra 20 bilhões que foi investido nos quatro anos anteriores.

CLIMA — A água que está chovendo agora na Colômbia e o degelo dos Andes vai permitir que a água chegue no Brasil, no Pará, 60 dias depois. Eu nunca imaginei que o rio Tapajós pudesse ficar vazio. Eu tive agora, recentemente, no Rio Tapajós. Tem lugar que tem 32 quilômetros de largura. Eu jamais imaginei que aquele rio pudesse secar e secou. Como o Rio Madeira está com problemas, o rio Solimões e tantos outros rios no Acre e em outros estados. Uma demonstração de que a natureza não está mais brincando. Ela está avisando e cada vez avisando com mais força, com mais enchente do que o normal no Rio Grande do Sul, com mais furacão, mais tufão, mais seca em alguns lugares, com menos chuva em outros lugares e com mais chuva em outros lugares. Está avisando: “Cuide de mim porque estou ficando saturado desse bicho chamado ser humano. Vocês estão destruindo o mundo em que vocês vivem. Então cuide corretamente de mim que vou cuidar de vocês”.

ECONOMIA — Estou muito otimista porque a economia que começou o ano com todo mundo dizendo: “o Brasil, não vai crescer nem 1%. O Brasil vai crescer 0,8%, 0,9%”. O Brasil pode crescer 3% este ano. E, se tudo ajudar, pode até quem sabe escorregar para três e alguma coisinha.

MAIS MÉDICOS — A gente já teve 18 mil médicos no Mais Médicos. Este ano, nós chegamos a 21 mil médicos e a tarefa é chegar a 28 mil médicos. Já tem mais de 4.200 municípios que receberam médicos. Médicos, que muitas vezes estão chegando a cidades que vão ter um profissional pela primeira vez, que vão ter uma assistência. Nós ainda vamos lançar uma outra coisa mais importante este ano que é a gente garantir o acesso aos chamados especialistas para o povo desse país todo. O povo humilde tem que ter acesso a especialista.

ECONOMIA VERDE — O Brasil tem neste século XXI, a partir de 2024, uma possibilidade que poucos países do mundo têm: entrar no mundo da chamada energia verde. A gente poder produzir mais do que qualquer outro país do mundo tudo o que é biocombustível, etanol, eólica, solar e tudo o que é hidrogênio verde. É o potencial que o Brasil tem de produzir energia e vender para os países ricos que querem comprar. Podemos competir com quem quer que seja, porque acho que nessa área o Brasil é imbatível. Queremos construir parcerias produtivas para que as pessoas não venham com seus fundos aqui apenas explorar a taxa de juros alta, que venham para investir em coisas que gerem emprego, produto, salário e dinamismo de crescimento na economia brasileira.

TERRAS DEGRADADAS — Logo, logo, teremos o lançamento de uma política de recuperação de terras degradadas. O Brasil tem por volta de 40 milhões de hectares de terras degradadas que podem ser recuperadas. E o Brasil pode plantar o que quiser, sem precisar derrubar uma única árvore.

Presidente afirmou que sonha transformar o Brasil num país de classe média, em que todos tenham acesso ao mínimo de dignidade. Foto: Ricardo Stuckert / PR

CLASSE MÉDIA — Quero dar a oportunidade para que o povo brasileiro sinta o prazer de virar uma sociedade de classe média, uma sociedade de pessoas que podem comprar as coisas, dar um presente para o filho, um presente de Natal, viajar de férias. Quero que o pobre deixe de ser pobre. Afinal, ninguém escolhe ser pobre. O papel do governo é dar oportunidades para as pessoas crescerem e melhorarem de vida. Vamos criar uma bolsa para que os alunos se sintam incentivados a não desistir da escola.

GOVERNABILIDADE – Como o governo precisa do Parlamento, e não é o Parlamento que precisa do governo, é importante que a gente tenha humildade de sentar para conversar em um momento de adversidade também. A gente não vive só de coisas boas que a gente quer. Eu não converso com o Centrão. Eu tenho conversas com partidos políticos que estão aí, legalizados, que elegeram bancadas e que, portanto, são com eles que tenho que conversar para estabelecer o acordo que eu tenho que fazer.

BUSCA PELA PAZ — Na semana passada, eu conversei com muita gente sobre a guerra de Israel com o Hamas. Eu comecei falando como presidente de Israel e depois eu falei com o presidente da Autoridade Palestina, depois eu falei com o presidente do Irã, com o presidente da Turquia, com o presidente do Egito, com o presidente dos Emirados Árabes, com o presidente da França, com o Conselho Europeu, com o emir do Catar. E ainda tenho que falar com XI Jinping. Tenho que falar com o primeiro-ministro Modi (Índia), com o presidente Ramaphosa (África do Sul). Eu vou conversar com todo o mundo. Alguém tem que falar em paz. Por falar em paz, a nota que o Brasil fez e foi aprovada nas Nações Unidas, porque a nota do Brasil foi aprovada por 12 de 15 votos e duas abstenções. E é por isso que queremos acabar com o direito de veto. Nós achamos que os americanos, os russos, os ingleses, os chineses ninguém tem o direito de veto. É preciso acabar. Ou seja, se tiver dúvida, vota-se a maioria, ganha e cumpre-se. Vou continuar falando em paz porque eu credito que é a coisa mais extraordinária para tentar superar o poder das balas. O poder do diálogo é capaz de vencer a bomba mais competente que o ser humano seja capaz de produzir. E é com o poder desse diálogo que acho que a gente vai conseguir, em algum momento, sentar na mesa.

TERRORISMO — Primeiro, o Brasil só reconhece como organização terrorista aquilo que o Conselho de Segurança da ONU reconhece. E o Hamas não é reconhecido pelo Conselho de Segurança da ONU como organização terrorista porque ele disputou eleições na Faixa de Gaza e ganhou. O que dissemos é que o ato do Hamas foi terrorista. Não é possível fazer o ataque, matar inocentes, sequestrar gente da forma que eles fizeram, sem medir as consequências do que acontece depois. Agora o que temos é a insanidade também do primeiro ministro de Israel, querendo acabar com a Faixa de Gaza, esquecendo que lá não têm só soldado do Hamas, que lá tem mulheres, crianças que são as grandes vítimas dessa guerra. E aí a minha preocupação com os brasileiros. Por isso é que fizemos questão de colocar os aviões brasileiros à disposição de trazer quem estava lá. Agora, estou com o avião presidencial no Cairo já há uma semana, esperando que o presidente do Egito e que o presidente de Israel façam um acordo para liberar a fronteira para passar os estrangeiros que querem voltar para seu estado nacional.

ACORDO UNIÃO EUROPEIA – Tenho que falar com o presidente Pedro Sanches, da União Europeia, para discutir o acordo comercial Mercosul e União Europeia, que nós temos que fazer enquanto eu sou o presidente do Mercosul e enquanto ele é presidente da União Europeia. Quero tirar do papel esse acordo, porque faz 22 anos e meio que a gente fala em acordo e ele ainda não saiu.

SEM CONFLITOS — Tem poucos países levados a sério como o Brasil tem sido levado a sério em suas posições. O Brasil não tem contencioso com todo mundo, nem com a Alemanha, que meteu 7 a 1 na gente na Copa do Mundo feita aqui no Brasil. Eu quero um dia poder ganhar de 8 a 0, mas vou esperar. Então, esse é o papel de um país grande como o nosso. O Brasil tem fronteira com todos os países da América do Sul, exceto Chile e Equador. São 16,8 mil quilômetros de fronteira, mais 8 mil quilômetros de costa marítima e a gente não tem um conflito. A gente vive em paz.

SUPORTE AO RIO — Eu não quero as Forças Armadas na favela brigando com bandido. Não é esse o papel das Forças Armadas e enquanto eu for presidente, não tem GLO (Garantia da Lei e da Ordem). O que determinei é que a Aeronáutica reforce o policiamento nos aeroportos e que a Marinha reforce o policiamento nos portos brasileiros. Foi feito um acordo com os ministros da Justiça, da Defesa e com o governo do Estado. Nós vamos ajudar. A Polícia Federal tem que ajudar investindo em inteligência, detectando as pessoas e prendendo as pessoas. Mas a gente não vai fazer nenhuma intervenção, como já foi feito pouco tempo atrás, em que se gastou uma fortuna com o Exército no Rio de Janeiro e que não resolveu nada.

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